sábado, 17 de outubro de 2009

Portsugar 2009, Castelo Branco

O maior encontro mundial de coleccionadores de pacotes de açúcar realiza-se anualmente em Portugal. O Clube Português de coleccionadores de Pacotes de Açúcar, CLUPAC, com quase meio milhar de sócios, é a entidade organizadora do evento, entitulado Portsugar (marca registada). Quem diria que um passatempo tão discreto tivesse este grau de seriedade?! Assim é, para bem da sanidade mental dos aficionados deste tipo de coleccionismo, que lhes permite uma fuga à realidade do dia-a-dia.
Este ano coube a Castelo Branco receber-nos, a 19 e 20 de Setembro. E que bem o fez! E que bem ficámos no Tryp Colina do Castelo! O evento teve lugar pela primeira vez num empreendimento turístico (Quinta da Dança), o que veio a revelar-se uma decisão excelente, pois permitiu que todas as actividades decorressem num espaço amplo e adaptado às necessidades do evento - não é fácil acomodar duas centenas e meia de coleccionadores e respectivos acompanhantes, nem desenvolver as actividades paralelas que o evento encerra: recolha de sangue, recolha de açúcar para oferta a instituições de solidariedade social, mostras de artesanato e produtos gastronómicos...
O coleccionador de pacotes de açúcar, como todo o coleccionador em geral, deseja ter a maior, a mais bonita, a mais interessante das colecções. Mas essa é a face visível do afã de coleccionar. No fundo, o que procuramos todos é conviver, criar e reforçar laços de amizade.
Eis a prova disso mesmo: sábado, dia do encontro de trocas; e domingo, com um Peddy-Paper albicastrense. De regresso, um desvio até Idanha-a-Nova para conforto do estômago. Venha o Portsugar 2010 (em Elvas, segundo consta), com os bons amigos de sempre!


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terça-feira, 12 de maio de 2009

Bourse de Laurac

Mais uma viagem, mais um encontro de coleccionadores, mais uma aventura inefável.
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3500 quilómetros de ida e volta, duas noites de estrada sem dormir, quatro dias de sonho.
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A 5ème Bourse Glycophile Internationale de Laurac (pequena vila no centro-sul de França, perto do belíssimo rio Ardèche - sobre o qual já aqui escrevi) realizou-se na vila de Rosières, entre Aubenas e Joyeuse, no passado dia 2 de Maio. Não fosse o feriado do dia anterior e ter-nos-ia sido impossível estarmos presentes. Viva o dia do trabalhador! Viva o lazer! Viva a amizade!



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E foi com dois amigos coleccionadores dispostos a dividir despesas que partimos à meia-noite de um dia de trabalho desgastante para 18 horas de viagem e poucas paragens. Uma tirada tão sem fôlego como a frase anterior. Mas perfeitinha, cheia de histórias de coleccionismo, cafés fraquinhos, um almoço regadinho com vinho branco alentejano fresquinho (abençoada geleira!) e um milímetro a menos no rodado dos pneumáticos. Não há bela sem senão ou, como diriam os nossos amigos gauleses, pas de plaisir sans peine.
Chegámos a casa por volta das oito da tarde: uma magnífica mobile home no parque de campismo Beaume Giraud. A Madame Balazuc (proprietária do parque) e o Vincent Penel, organizadores do encontro, esperávam-nos, simpatiquíssimos. Acabámos a noite à volta da sua mesa, entre outros coleccionadores e familiares, depois de jantarmos na mobile home os restos de bacalhau frito, bolinhos de bacalhau e panados que trouxéramos de Portugal, acompanhados de um arrozinho de tomate solto - feito em esturgido de manteiga (o azeite ficara em casa)! Ofereceram-nos uma sobremesa-digestivo típica: ameixas maceradas em vinho tinto. Nada mau, para quem já só conseguia manter os olhos abertos com o esforço de comunicar em franglês.
Acordámos em beleza! Depois de um pequeno almoço reforçado, o paraíso: a Madame Balazuc colocou-nos à disposição uma dezena de caixas de pacotes de açúcar para que embolsássemos à vontade as nossas preferências. Uma hora de puro entretenimento para nós e de segundo sono para a mais-que-tudo, merecidíssimo pelo esforço de me acompanhar.
Passámos o resto do dia em passeio pelas Gorges d'Ardèche e em Balazuc, uma village de character. Aqui foi dado o pontapé de saída do encontro, com um apéritif dïnatoire no café Chez Paullete. Oportunidade para afiar a língua com o polimento de vários idiomas e para reencontrar amigos destas andanças. Na verdade, a abertura de hostilidades foi feita com um intragável (mas omnipresente) Ricard pastis, seguido de vinho rosé, Porto e Cognac. Uns salgadinhos de pouca substância serviram para começar a enganar a fome; seguiram-se uma fatias magrinhas de pizza (razoável), uma fatiazinha de pão branco com paté e uns pedacinhos de caillette, uma espécie de enchido da região, feito com vegetais, ervas, carne de porco e miúdos, e que obteve uma reprovação unânime. O gosto treina-se, é verdade, mas viemos sem tempo para isso. E tempo foi o que nos faltou para podermos compensar estas francesisses com um jantar à portuguesa, por isso acabámos a noite no McDonald's de Aubenas. Não fosse isso, o Romeu Lopes e o Romeu Barros ter-se-iam enforcado de desespero estomacal durante a noite, o que seria uma verdadeira perda de peso para o mungo glicófilo.
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E o grande dia chegou: pelas nove da manhã já estávamos na fila de coleccionadores e acompanhantes de acesso ao pavilhão onde se realizaria o encontro de trocas. Presentes 120 coleccionadores de 11 países: Portugal (O Carlos Barata foi outro dos que se fez a caminho), Espanha, Andorra, França, Bélgica, Itália, Alemanha, Inglaterra, Dinamarca, Hungria e República Checa. Um festim de idiomas, de abordagens ao coleccionismo de pacotes de açúcar e de cultura. Apesar de uma recolha substancial de exemplares para a minha colecção e para futuras trocas, os pacotes acabaram por ser o menos importante: o ambiente familiar que caracterizou todo o evento, a troca de impressões e o convívio foram extraordinários. Em quatro dias esquecemos todas as pequenas agruras do dia-a-dia, do trabalho e da hipocrisia política. Do almoço volante não reza grande história (ai se os Romeus pudessem escrevinhar aqui as suas lamentações...!), a não ser o seu carácter relaxado: comemos nas mesas de exposição, num silêncio estranho: não pela introspecção dos comensais, seguramente pouco deliciados com as iguarias coloridas dos tabuleiros padronizados, mas mais pelo contraste com o ruído feliz que nos assoberbou durante toda a manhã. Depois do encontro, e enquanto esperávamos pela hora do jantar, a ser servido no mesmo pavilhão, completamente transformado para o efeito, deliciámo-nos com uma cervejinha fresca numa esplanada local e entretivémo-nos com a busca de trevos de 4 folhas, como se, para além da felicidade de ali estar, ainda precisássemos de mais sorte. Secretamente, calculo, rezávamos todos por um cozidinho à portuguesa...
As hostilidades do jantar-convívio abriram com mais uma mistela francesa: uma espécie de aguardente licorosa misturada com 4/5 de vinho branco. A ementa de seis "pratos" deixou-nos expectantes, fazendo-nos esquecer a bebida fraquinha que bebericávamos por entre conversas de circunstância e fotografias com coleccionadores amigos, até que, de forma algo impositiva mas confiante, os coleccionadores húngaros (homens de bigode farto e carne nutrida), começaram a encher os nossos copos com aguardentes e licores magiares de altíssima qualidade, por entre palavras absolutamente incompreensíveis: falavam para nós em húngaro, como se fôssemos seus amigos de infância; ainda tentámos ajeitar a conversa com algumas palavras em inglês, espanhol, francês e alemão, mas sem efeito: pareceu-nos evidente que já tinham despachado algumas garrafitas daqueles néctares fabulosos às escondidas antes do jantar, pelo que o único meio de comunicação efectivo foi de natureza líquida.
De imediato, a performance dos diálogos circunstantes subiu de tom e assumiu matizes mais enlevados. A salada que abriu a contenda obteve nota alta, o que ajudou a esquecer o "experimentalismo" dos "pratos" seguintes, mais de encher o olho do que propriamente de fartança. Em todo o caso, aquelas aguardentes, senhores, aquelas aguardentes fizeram esquecer tudo! O nosso amigo Romeu Lopes, que já estava desesperado por se lhe terem acabado os cigarros e por não haver outros fumadores visíveis, perdeu completamente a cabeça: invadiu a cozinha e literalmente "assaltou" os funcionários da empresa de catering. Devem ter tido dó do homem: a cara de felicidade quando nos apresentou um cigarrito enrolado, cheio de orgulho pelo seu feito... Mas se bem o conhecem, um cigarro dá-lhe para meia hora: esperávamos pelo terceiro ou quarto prato, emborcada a quarta ou quinta ronda de néctares húngaros, e encheu-se de coragem; saiu do pavilhão e palmilhou as ruas de Rosières em busca do vil vício. Desta vez, as vítimas foram pacatos cidadãos franceses que faziam fila à porta do cinema local... Estes portugueses! Foi com estas peripécias que a noite se desenrolou: inebriada, leve, embalada pelas canções tradicionais húngaras com que um jovem magiar nos entreteve e a música dos anos setenta e oitenta (quase tudo em versões de língua francesa) que o DJ contratado seleccionou para arrastar os mais arrojados a exibir os seus dotes na pista improvisada.
De regresso à nossa mobile home, mais para o lado de lá do que para o de cá, imaginem o que fizemos? Pois claro: ainda perdemos mais uma horinha a escrutinar os pacotinhos trocados durante o evento, entre os Ai Jesus! do Romeu Lopes, que jurava nunca ter bebido aguardente tão boa nem alguma vez ter ficado naquele estado, e que costumava ter mais resistência e tal, e que precisava de apanhar um pouco de ar, e Ai Jesus! que ainda ia ter uma síncope... O Romeu Barros e eu ainda pensámos em assaltar-lhe o saco dos pacotes durante a noite, mas acabámos por decidir que as saudades da aguardente já seriam causa de grande sofrimento...



E lá arrancámos de volta a terras lusas, pelas dez da manhã de domingo. Felizes e com vontade de repetir a loucura. Não faltaram peripécias na viagem de regresso, como um desvio a Lourdes que nos fez subir a adrenalina como só as trocas de pacotinhos conseguem: não por razões espirituais (vá lá, também essas, que o santuário até é bonito e isso) mas porque acabámos, no regresso à auto-estrada, com o combustível a zero, mesmo antes da primeira estação de serviço, e o bólide a percorrer os últimos metros à força de Pais-Nossos e Avé-Marias. Isto porque, ao domingo, as estações de serviço fora das auto-estradas só nos servem o imprescindível líquido com pré-pagamento a cartão de crédito; quer dizer, com um qualquer cartão franciu (a carte bleu, pelos vistos), pois os nossos foram todos rejeitados. Foi com o recontar destas aventuras que afugentámos o soninho até chegarmos às sete e meia da manhã de segunda-feira, pouco antes de retomar as rotinas do trabalho, esse vil amigo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Obrigado, Javi!

No passado mês de Agosto saímos para mais um périplo ibérico. Destino: Andaluzia. Pelo caminho, e para aproveitar ao máximo as duas semanas de descanso, nada como tropeçar em algumas cafetarias, bares e restaurantes que me disponibilizassem mais alguns exemplares de pacotes de açúcar para a colecção. Para o que contei com toda a paciência e conivência da minha mais-que-tudo.
No final da viagem foram dezenas (entre repetidos, obviamente) os pacotes Camelo e Delta amealhados, mas houve um, em particular, cuja obtenção fez por merecer uma história neste blogue. Nada de extraordinário em si, mas que revela os perigos, as surpresas, o inusitado destas saídas à caça dos nossos bem-amados pacotinhos. Aconteceu em Guijuelo, a sul de Salamanca, na Cafetería Javi:


Chegámos ao modesto pueblo antes do meio-dia. Por azar - ou sorte -, era dia de feira, o que dificultou a procura da Javi, para não falar do estacionamento. Aproveitámos a oportunidade para um passeio por entre as tendas e mesas do mercadillo (a mais-que-tudo precisa destes mimos, caso contrário, não benificiaria da sua eterna paciência para estas lides), onde se expunha de tudo um pouco, certamente - a maior parte - de origem duvidosa. Arrematámos 4 camisetes Lacoste impecáveis por 40 euros. Nada mau para um desvio imprevisto!
A Cafetería Javi, afinal, ficava à entrada de Guijuelo, junto a uma gasolinera, informou-nos um agente da polícia local. A palavra cafetería em Espanha tem um sentido algo menos pretencioso do que o seu equivalente em português. Na verdade, não passava de um café ao lado de uma estação de serviço pequena. Ao balcão, dois amigos do dono emborcavam uma cerveja enquanto petiscavam uma qualquer tapa e trocavam com este umas graçolas inofensivas. Pedimos dois cafés, enquanto contávamos as dezenas de pacotes rasgados espalhados pelo chão, entre todo o lixo acumulável neste tipo de tascos em algumas partes de Espanha. Era ele - o pacote que procurava! Soube bem o café - e nem precisava de ser português! Escutámos durante algum tempo as tiradas dos amigalhaços, aparentemente já bem regadinhos - dono incluído.
Levantámo-nos para pagar ao balcão, tendo antes sacado de uma fotocópia que trazia com a imagem do pacote. Tencionava explicar ao Javi (presumivelmente o nome do dono do estabelecimento) que era coleccionador e que tinha ali passado de propósito em busca daquele pacote em particular e que me davam jeito alguns repetidos e que... Não foi necessária: após pedir-lhe mais alguns pacotes (o mais naturalmente possível, como se fossem para uma necessidade urgente de um familiar diabético), virou-nos costas, dirigiu-se à máquina de café, retirou a gaveta que se encontrava no móvel que a sustentava e, num abrir e fechar de olhos, despejou-a sobre o balcão e pelo chão - de tal modo que creio que, se não demos um passo atrás do susto, foi como se o tivéssemos dado em espírito. Aqui los tienes. Llevatelos todos!
Não sabia o que dizer. Parecia zangado, como se tivesse sido a milésima vez que lhe haviam feito aquele pedido (o que era muito improvável). Na realidade, creio que foi o estado enlevado em que já se encontrava que o fez ter aquela atitude. E constatei-o quando, tentando amenizar o momento, lhe estendi a imagem do pacote e lhe disse que era conhecido de muitos coleccionadores em Portugal. Mostrei-lhe também o catálogo de pacotes de Marcas de Café Portuguesas Internacionalizadas, em que já tinha incluído o Javi. Foi uma festa! Chamou a mulher que estava na cozinha, aparentemente sua companheira: mira, mira... el sobre ya lo conocen en Portugal! Perguntou-me se precisava de mais, depois de os termos recolhido e apanhado pacientemente. Respondi-lhe que eram mais do que suficientes. Que muito obrigado. Que foi muito simpático da sua parte, e tal. Despedimo-nos. Os amigos disseram-nos adeus, ainda espantados pelo sucedido e decerto a rirem-se interiormente da tonteria que é coleccionar pacotes de açúcar. Não imaginariam a alegria com que saímos. Objectivo atingido x 54. 54 pacotes! E um não sei quê de frisson - que é o alimento favorito de qualquer coleccionador.
Obrigado, Javi!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Pacotes de açúcar em Villanueva del Trabuco, Málaga

No passado dia 5, sábado, realizou-se o 1º Encontro Internacional de Coleccionadores de Pacotes de Açúcar de Villanueva del Trabuco, província de Málaga. 2200 quilómetros de ida e volta não demoveram quatro coleccionadores do norte de Portugal de estarem presentes - grandes heróis! E a experiência foi tão inebriante que já prometeram volver el próximo año, nem que seja para aprimorarem o seu castelhano de sotaque andaluz.
Aqui fica um pequeno relato dos trabalhos mais significativos:
Paragem em Elvas, pelas 8.30 da manhã de sexta-feira (imaginem a que horas saímos!?), para um pequeno almoço merecido em casa do nosso amigo coleccionador, Paulo Araújo. Que o deus dos pacotes o abençoe; e à France; e à Margarida!
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Descanso em Zafra (1ª foto), à caça de um pacotinho de açúcar dos Cafés Camelo quase desconhecido. Começámos com sorte: cerrado para vacaciones. O bom tempo e uma cervejinha fresquinha noutro tasco fizeram-nos esquecer o precalço.
Almoço no Hostal Los Arcos - nome de bom prenúncio -, perto de Sevilla (2ª foto). O logótipo da Delta no painel publicitário aliou-se à fominha que trazíamos para nos decidirmos a parar ali. Uma razão tão boa como outra qualquer... A verdade é que nenhum de nós alguma vez comeu tão mal! O melhor de tudo foi o pão, branco e sensaborão como as nossas roscas... Dá para imaginar?
Depois de Sevilla, passámos por dois carros lusos. Que festa! Transportavam coleccionadores da grande Lisboa nossos conhecidos destas lides. Ultrapassámo-los, acenando e fazendo sinal para sairem da auto-estrada... Continuaram em marcha lenta... Tornámos a ultrapassá-los e... nada! Marcha lentíssima... Parecia que não nos viam! Seguimos, que se fazia tarde. Só à noite soubemos que o passo de caracol se devia a uma avaria numa das carripanas, e que acabou por ir para o estaleiro. Honra ao casal desafortunado que, não cedendo à tentação de regressar à lusa pátria, não deixou de comparecer em Villanueva del Trabuco. Um brinde para eles!
E já se brindava quando chegámos à pacata Villanueva del Trabuco (3ª e 4ª fotos), pelo que não demorámos a juntar-nos à festança (provei uma loiraça de estalo que nunca tinha visto por estas terras: Alhambra; garrafinha verde sem rótulo e com inscrições em relevo). Pouco depois, no Ayuntamiento da vila (5ª foto, da entrada), e de ânimo reforçado, assistimos à apresentação da série de pacotes de açúcar alusiva ao encontro. Uma cerimónia bonita, que serviu de agradecimento aos pintores locais cujos quadros foram retratados na série.
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E chegou sábado de manhã. E a adrenalina foi tão intensa que se passou um dia inteiro num pavilhão abafado sem darmos conta de que tivesse acabado. As discussões acaloradas entre coleccionadores (6ª foto); os coleccionadores com quem troco há anos e que não conhecia pessoalmente (a Mari Martinez, o Juan Guillén, o José Manuel Duran, o Juan Carlos Nuñez, o Vicente Benitez...); o orgulho do António Jesus Duran, o guardia civil organizador do encontro, mostrando o seu armário arquivador de séries repetidas (7ª foto); o almoço volante excelente, servido no próprio pavilhão e de que, por nos ter entretido tanto mãos e boca, não se registaram imagens para a posteridade; a meia-dúzia de loiraças despachadas durante a tarde (e, registe-se, o uísque com cola saía que nem emigrantes clandestinos a desembarcarem na Florida!); as centenas de sobres de azúcar nas nossas bolsas, para nos devorarem o tempo livre nas semanas e meses seguintes...
O fim de tarde e noite terminaram na Venta Talillas, restaurante local afamado, com um jantar memorável (última foto), parcialmente patrocinado pela câmara local. Não sem antes os 4 heróis reabrirem a contenda com duas Cruzcampo levezinhas (8ª foto). Ao jantar, a cerveja servia-se em jarros, pelo que se perdeu definitivamente a conta - mas só por essa razão...
Recordo-me de poucas noites de sono em que ao acordar no dia seguinte me deparasse na mesma posição em que tinha caído na cama. Pelos vistos, o mesmo sucedeu aos meus compinchas de aventura. Sabe bem este cansaço!
Dos 1100 quilómetros do regresso registam-se:
- os 18 euros que o Romeu Lopes pagou - grande homem! - por meio quilo de pacotes de açúcar numa taberna de aldeia, num dos inúmeros desvios que fizemos;
- o termos parado no restaurante Nueva Andalucia I em busca de mais um pacotinho da Delta - mas com a mesma sorte da viagem de ida, pois viemos a saber posteriormente que, no outro lado da auto-estrada, a poucos metros, na direcção sul, esse pacotinho já circulava no restaurante Nueva Andalucia II...;
- a jura de pés juntos do Romeu Lopes, por alturas de Castelo Branco, de que havia um Burguer King numa área de serviço perto da Covilhã ("entre a Covilhã e Viseu", corrigiu pouco depois, face às evidências; o Miguel Botelho, cego de hambre e com a tripa em mau estado, tendia a concordar). Já depois de Viseu, a fome desgraçada teve de ser amenizada num Pans & Company... Desconfiamos seriamente que os pacotes dos 18 euros tinham algo mais alucinogénico que açúcar...;
- e o termos chegado tarde e a más horas, mas bem - e com muita vontade de repetir a maluquice!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Vinho Nutritivo de Carne - Um bom bife!


Por várias vezes já aqui escrevi sobre a riqueza cultural destes objectos de coleccionismo. Em boa verdade, o pacote de açúcar nada fica a dever ao selo, à moeda ou a qualquer outro objecto assim estimado como fonte de conhecimento. Podemos ler e ver muito da história de Portugal e do mundo nestes objectos tão insignificantes...
Um bom exemplo disso são os pacotes de açúcar na imagem, com cerca de quarenta anos. São embalados em papel celofane transparente (dentro do qual se colocou um pedaço de papel branco para realçar a sua legendagem) e à primeira vista, sobretudo para quem anda neste mundo há menos tempo, poderão causar alguma incredulidade, pois neles podemos ler: "reage contra a fraqueza - um cálice deste vinho representa um bom bife - à venda nas farmácias".
Numa edição recente da revista Fugas, o enólogo João Paulo Martins discorre deste modo a propósito da convalescença do Presidente de Timor, José Ramos Horta (na sequência de um outro artigo do enólogo David Lopes Ramos, que lhe sugere um Porto 20 anos da Ramos Pinto):
"(...) atendendo a que o destinatário se encontra debilitado, não seria mal recordar que tempo houve em que se produzia um Vinho do Porto especialmente indicado para pacientes em estado de fragilidade, mas ainda assim apreciadores. Os nomes de alguns desses vinhos eram bem sugestivos: Invalid Port (da firma Kopke) e Recuperator Port (da Casa Ferreira). Também os havia em abundância na firma Ramos Pinto e, não raramente, a receita - a bem dizer, é melhor falar em mezinha -, vinha no próprio rótulo, afirmando que o vinho era um tónico reconstituinte, capaz de renovar forças e, quem sabe, dar vida a um morto. Bom exemplo disso é o rótulo do Porto Amândio que aqui se reproduz.
Vamos lá ao cerne da questão. O que é que esses Vinhos do Porto tinham de especial ou de diferente em relação aos restantes? Digamos que eram vinhos «acrescentados», termo que não sei sequer se era utilizado, mas que dá uma ideia do que se pretendia. O acrescento era dado pelas proteínas da carne que se colocava em contacto com o vinho. O processo desenrolava-se mais ou menos assim: já depois do vinho feito eram colocados ossos de vaca nos balseiros, permitindo desta forma que houvesse um enriquecimento do vinho em matéria de proteínas, o tal elemento considerado recuperador de enfermos. O vinho dali resultante era considerado essencialmente um tónico, um remédio, e era vendido como tal (...)"

Excerto e imagem do rótulo in "Fugas", sábado, 29 de Março de 2008 , página 40 (suplemento do jornal Público)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Insólito



Os meus amigos coleccionadores conhecem a minha toleira por pacotes de açúcar de marcas de café portuguesas que circulem exclusivamente no estrangeiro. Ora bem: há uns tempos atrás chegou-me o exemplar da imagem às mãos, vindo de um coleccionador espanhol cujo nome não me recordo. Há coisas difíceis de imaginar, como a de alguém dar-se ao trabalho de carimbar todos os pacotes de açúcar que coloca sobre um pires de café, como terá acontecido neste restaurante catalão em Sant Joan de les Abadeses, Girona. Ou terá sido apenas um acto experimental, quiçá na tentativa de confirmar se o carimbo tinha sido bem produzido? Caso em que este pacote seria, eventualmente, exemplar único. Ou um acto de superior auto-controle: em vez de carimbar a testa de um cliente irascível, tome lá uma coisinha doce... Fosse como fosse, já cá canta! E, se um dia por lá passar em horas de repasto numa das minhas viagens com açúcar, averiguarei sobre a justeza destas minhas conjecturas. E certamente trarei mais uma boa história para contar.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

1ª Convenção Ibérica do Coleccionismo de Pacotes de Açúcar

No passado dia 20 de Dezembro, realizou-se em Elvas a 1ª Convenção Ibérica do Coleccionismo de Pacotes de Açúcar. Em representação dos coleccionadores nacionais esteve presente a minha digna pessoa; em representação dos coleccionistas espanhóis, o meu estimado amigo, e não menos digno, José Luis Salguero; e ainda o digníssimo Paulo Araújo, que sem fugir mesmo nada à verdade, vive entre os dois países, aproveitando o que de melhor e mais barato há em ambos. Um sortudo, claro está. Por via dessas poupanças, coube-lhe acolher-nos. Um bem haja para ele.
O início das negociações teve lugar na cafetaria Q'Alma, propriedade do ilustre Rui Nabeiro, e prolongou-se noite fora num afamado bar desta cidade raiana. A secretariar o encontro, as mais do que digníssimas esposas dos convencionalistas, bem como a pequena Margarida, que, por ter nascido em Badajoz e ser de nacionalidade portuguesa, poderá ser considerada um símbolo da irmandade entre os dois povos.
A testemunhar a assinatura do convénio, registámos a presença fugaz de meia dúzia de cafés Delta, uma ou duas garrafitas de água com gás, um Dimple on the rocks, uma Vodka com limão, um príncipe, dois ou três chás e outros líquidos que tais. E muitas, muitas palavras doces em ambas as línguas.
Como se anticipava, deste encontro apenas nasceram boas intenções e melhores promessas, que assim ficaram registadas:
- participar no maior número possível de encontros de coleccionadores, tendo como principal objectivo uma comezaina bem regada;
- ignorar os insultos e as invejas e trocá-los por beijinhos e abraços;
- não coleccionar de tudo: rejeitar liminarmente tudo o que sejam pacotes que não tenham a bondade de adoçar um cafezinho;
- desprendidamente, tirar das nossas colecções um ou outro pacote que faça mais falta a um bom amigo do que a nós;
- tratar os pacotes de açúcar com dignidade, não seja o caso de sentirem inveja das nossas mais-que-tudo;
- realizar a 2ª Convenção o mais breve possível, pois ficaram muitos líquidos por provar.
Elvas, a 20 de Dezembro de 2007
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domingo, 9 de dezembro de 2007

O maravilhoso mundo das árvores






A árvore é o ser vivo mais belo de todos, o mais inefável, o mais resistente, o que acolhe e dá mais vida. A minha admiração pela árvore determinou que desenvolvesse mais um tema no coleccionismo de pacotes de açúcar, a que entrego muito carinho e atenção redobrada. Não me interessam as séries de pacotes de açúcar que versem este tema, algumas de circulação genuína, outras produzidas propositadamente para coleccionadores. Interessam-me os pacotes de açúcar que revelem verdadeiro respeito e amor por este ser vivo: o que terá levado determinado empreendedor a atribuir o nome de uma árvore ao seu hotel, restaurante ou bar senão uma verdadeira admiração pela mesma? É este sentimento que com eles partilho e que aqui, neste texto e na minha colecção, quero sublinhar.
Os exemplares que aqui vos mostro testemunham a riqueza cultural que releva destes objectos de coleccionismo: o cuidado do desenhador em ser fidedigno para com o objecto retratado; o desafio colocado ao coleccionador pelo número de línguas que tem que interpretar (quatro, nesta amostra: castelhano, galego, catalão e francês) e pelo trabalho de pesquisa que necessita de efectuar para saber se determinada palavra corresponde ao nome de uma árvore desconhecida; a interpretação do valor cultural atribuído por determinado povo a esta ou aquela espécie arbórea (o carvalho na Galiza, a oliveira em Marrocos, o flamboaiã no México...)... Em suma, e por muito surpreendente que isto possa parecer, coleccionar estes objectos pode tornar-se uma verdadeira paixão e um processo de construção de saber riquíssimo.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Portugueses, consumidores de café...

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É voz corrente, entre nós, que somos campeões no consumo de café; mais: que o nosso café é dos melhores do mundo. Faz parte da alma lusa a vanglória persistente em ser-se o melhor nisto, naquilo e naqueloutro, sem um conhecimento avalizado da realidade...
Se é verdade que o nosso café expresso é de muito boa qualidade (e o meu palato, pelo privilégio que teve de cirandar um pouco por esse mundo fora, é testemunha disso), quanto ao sermos cafeinómanos imbatíveis, não sabia nem imaginava os verdadeiros números. E como sempre, os nossos amigos pacotes de açúcar não nos deixam na ignorância. Desta vez, um pacotinho dos cafés Baqué, do País Basco, tem a honra da difusão do saber. Engulamos em seco, se faz favor:

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Campanha de sensibilização ambiental em pacotes de açúcar

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Assim, sim, vale a pena coleccionar pacotes de açúcar. O município de Setúbal encetou uma campanha de consciencialização ambiental, de protecção do seu património natural, e, pois claro, lembrou-se dos nossos "amigos" como meio de sensibilização. O pacote na imagem - e o cabeça de cartaz de uma série de 5 - mostra aquela que é, indiscutivelmente, "uma das mais belas baías do mundo". Sobretudo para quem a observa da Serra da Arrábida, do lado oposto ao retratado neste pacote (e que podem observar na fotografia em baixo), com a língua de terra da Península de Tróia ao fundo - um sortilégio da natureza sem paralelo.
Resta esperar que cada pacotinho de açúcar desta série possa significar menos um papelinho deitado ao chão, menos uma lata abandonada. Mas mais importante do que isso, que possa tocar a consciência daqueles que por descuido ou insensibilidade ambiental contribuem para a degradação do nosso planeta, da bela baía de Setúbal.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Manifesto: o que é um pacote de açúcar?

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O presente manifesto surge da minha obrigação como coleccionador de contribuir para a elaboração de uma definição exacta do que é o objecto coleccionável denominado pacote de açúcar, numa altura em que surgem milhares de objectos semelhantes que com ele se confundem. Parte deste texto foi já partilhado numa mailing list dedicada a este campo de coleccionismo.
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Como qualquer outro objecto, um pacote de açúcar tem necessariamente uma função: primeiro que tudo, a de adoçar uma bebida (ou, menos frequentemente, um preparado culinário); em segundo lugar, quase sempre, serve também de veículo publicitário, respondendo a uma intenção genuína de uma qualquer entidade ou entidades. Para que a sua função seja levada a cabo, o pacote de açúcar tem de circular, de ser disponibilizado ao público.
Não é relevante quem cria, imprime, embala, promove ou distribui o pacote de açúcar (a não ser para quem, como coleccionador, privilegie este ou aquele parâmetro), mas sim que ele desempenhe a função para que foi criado, só assim fazendo jus ao seu nome.
Nos últimos anos, em particular em países como a Itália, a República Checa e a Espanha, e mais recentemente em Portugal, têm surgido milhares de objectos semelhantes a pacotes de açúcar, quase exclusivamente na forma de séries, ou colecções, que são produzidos de per se, isto é, sem qualquer função, muito menos a acima descrita, e promovidos frequentemente por agentes próximos do coleccionismo de pacotes de açúcar. Objectos destituídos de função, por muito criativos ou tecnologicamente avançados que sejam; poderão ser tudo, não são de certeza pacotes de açúcar, mesmo que por conveniência sejam embalados com a doce substância (muitos já nem isso o são). Fazem lembrar as notas do Monopólio, com um carácter figurativo, fictício; mas, e isto é que é grave, têm sido utilizados com um valor transaccionável real.
Tudo é transaccionável quando tem procura - e este é que é o verdadeiro problema: quando as pessoas não são capazes de reflectir sobre o objecto que têm nas mãos, arriscam-se a que, quando olhem para elas com mais atenção, não vejam nada. Pelo menos que não vejam o objecto a que se supõe tenham atribuído um valor estimativo que os tenha conduzido ao acto de coleccionar.
Porque é disto que falamos: só se colecciona quando se tem estima pelo objecto coleccionado. E essa estima tem sempre origem num qualquer episódio da nossa vida, por mais insignificante que seja. Convido-vos e realizarem este exercício de imaginação: o primeiro coleccionador de pacotes de açúcar - quem terá sido? Nunca o saberemos, certamente. Mas o que o terá levado a coleccionar pacotes de açúcar? Terá certamente achado graça ao objecto que acompanhava a sua bebida preferida, à história que contava ou ao motivo que exibia. Teria ele achado tanta graça (a suficiente para despertar a paixão pelo seu coleccionismo) a esse mesmo pacote de açúcar, por muito belo ou interessante que fosse, se não viesse acompanhado da sua bebida preferida?
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Marcas de Café Portuguesas Internacionalizadas

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Mais uma viagem pelo mundo dos pacotes de açúcar. Desta vez, sentado ao computador, com a companhia de um scanner e de muitos apontamentos. Uma viagem de centenas de horas, de recuos e avanços, consultas infindáveis no google, a ajuda de alguns amigos (não posso deixar de referir, cada um a seu modo, o José Luis Salguero, o José Manuel Pereira, o Romeu Lopes, o Paulo Araújo, o António Campos e a Fátima Mariano) ... Extenuante. Igualmente enriquecedora.

É o primeiro catálogo de pacotes de açúcar exclusivamente dedicado às Marcas de Café Portuguesas Internacionalizadas, o meu tema de eleição. Com edição do CLUPAC, o catálogo foi distribuido gratuitamente a todos os participantes no Portsugar 2007, no passado dia 15; chegará também às mãos de todos os sócios do CLUPAC que aí não estiveram presentes e a todos os novos sócios deste clube. Assim como a todos quantos me ajudaram nesta difícil tarefa.
O conteúdo do catálogo será objecto de actualizações trimestrais ou semestrais. Mais informações neste blogue e no sítio do CLUPAC em breve.
Com o desejo de que vos possa ser útil.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"El Gordo"

O meu amigo José Luis Salguero, mais uma vez, presenteou-me com matéria para um apontamento no Viagens com Açúcar.
Não passará certamente pela cabeça da maioria de vós que um pedacinho de papel apreciado por um punhado de tontos poderia render uma soma engraçada, sem que para isso tivessemos que mover um alfinete - bastaria um cafézinho relaxado numa cervejaria de Madrid em Dezembro de 1997. E claro, uma boa dose de sorte - que muito provavelmente não nos caberia...
Ou não coube aos clientes do El Pescador, presenteados com um fac-símile de um bilhete de lotaria na forma de pacote de açúcar, com o valor parcelar de 5 pesetas - que, nas boas graças do Menino Jesus, equivaleria a um milésimo do prémio da lotaria de Natal desse ano (não consegui confirmar, mas cada décimo custaria 5000 pesetas).
Infelizmente, o número sorteado foi o 43728. Mas pela ideia genial, arbitrariamente democrática, bem merecia que fosse o estampado neste fantástico pacote de açúcar.
No mundo do coleccionismo de pacotes de açúcar a criatividade não tem fim.